terça-feira, 8 de julho de 2008

História da Nutrição e da Alimentação




A história da nutrição e da alimentação ocorre paralelamente à da história do homem na face da terra.Na pré-história e história, o homem sempre procurou localizar-se sempre inde havia suplência de alimentos, água e onde as condições climáticas eram mais favoráveis à sua sobrevivência; tem sido sempre um integrante do ecossistema, do qual não pode afastar-se. Seu tipo de alimentação obedeceu primitivamente ao instinto. Com a civilização, foi perdendo o instinto e procurando alimentar-se segundo as normas aconselhadas ou também de acordo a oferta da natureza, no que perdeu mais do que ganhou. Relativamente ao alimento, costuma-se dividir a história da humanidade em três importantes eras. A primeira foi caracterizada pelo consumo de alimentos ofertados pela natureza (vegetais e animais selvagens), o que era feito através da caça, da pesca ou da coleta. A evoluçao das sociedades humanas em 3 etapas: 1) caçadores; 2) pastores sem estabelecimentos fixos (nômades); e 3) sedentários ( cultivo do solo ou prática da agricuicultura; admite que o espirito de iniciativa pode fazer com que o homem adote o nomadismo ou se fixe à terra.
Através dos séculos, confiando no instinto e em suas descobertas empíricas, o homem aprendeu a distinguir o que era comestível e bom para ele. Apesar de conhecer a natureza dos processos nutritivos, nossos ancestrais revelavam cuidado e sagacidade na escolha dos seus alimentos, pois em toda parte a historia alimentar humana tem constituído um dos problemas mais sérios com que o homem tem se defrontado.
Os povos primitivos experimentaram tudo que lhes pareceu valioso no setor alimentar. Muito antes do alvorecer da história, por exemplo, os mascadores de folhas de coca, na América do Sul, os devotos de Kat, no Oriente Próximo, e os comedores de lótus do Extremo Oriente descobriram que esses produtos vegetais pode acalmar as dores e agem como estimulantes, produzindo também sonhos agradáveis.
Sem dúvida, o homem pré-histórico realizou experimentos nutricionais através dos tempos, quando começou a suplementar a sua dieta vegetariana com ovos, répteis e pequenos mamíferos.
Aproximadamente há 1 milhão de anos atrás, na China, o homo sapiens comia carne de animais, inclusive a medula do osso da perna, que fornece vitaminas, ferro e fosfolipídios. Através dos séculos, o homem foi ficando mais hábil como caçador, coletor de alimentos e agricultor. O apetite deve ter estimulado os sentidos do homem primitivo, fazendo-o distinguir novos e desejáveis odores; assim, foi levado a experimentar e saborear alimentos ainda desconhecidos. Aceitava aqueles que satisfaziam seu gosto e recusava os que lhes causavam repugnância. Desse modo, o sabor e o odor devem ter desempenhado importante papel no estado nutriticional do homem primitivo.
Na pré-história, ao que parece, o homem era predominantemente carnívoro porque, durante o período glacial e interglacial, não havia vegetação no solo gelado; é o que indicam os fósseis. Comer em grupo era um prazer para o homem primitivo; alimentava-se abundantemente de animais de grande porte, como o elefante, fartava-se quando aliviado , consumia mais alimentos; não pensava no amanhã.
Aproximadamente no ano 8000 a.c.; o clima foi aquecendo e o período glacial foi chegando ao fim. O principal sinal dessa modificação foi o reflorestamento da Europa. Aos 5000 a.c.; os europeus ainda eram caçadores e coletores, mas tinham abandonado o uso da acrne pura. O aquecimento das águas, no fim do período glacial originou a abundancia de peixes e provocou o aparecimento das galinhas-d'água, dos ovos, dos alimentos marinhos e terrestres ( lebre, cobra, lesma) vegetais e raízes, nozes e outros. Havia gado selvagem, veado e outros animais, plantas e árvores frutíferas.
Num vôo de mais de meio milhão de anos, não há homens, e sim infra-homens. O homo sapiens dos aurinhacense, o de Cro-Magnon , teve alimentação de carne assando-a, abatendo caça diária. Antes dele, todos os depósitos encontrados e estudados pelos arqueólogos evidenciam o vasto material lítico para as atividades cinegéticas. A presença do lume e os resíduos de alimentação carnívora afastam indiscutivelmente a fase de raízes e frutos.
No fim do período glacial, a nudez do solo levou o homem e os animais a se reunirem em torno de lagos e rios. O home primitivo começou a observar que as sementes no solo produziam colheitas ao fim de poucos meses. Isto aconteceu no Oriente Próximo, onde o homem passou de coletor a produtor de alimentos. Foi o marco do inicio da civilização com a agricultura sendo iniciada nas praias do mar Cáspio, limite do Irã com a Rússia. A cultura de hortaliças estendeu-se, em seguida, ao Irã e vales do Nilo e do Indo. As grandes civilizações da Mesopotâmia e do Egito se desenvolveram depois que os alimentos começaram a ser cultivados. Admite-se que o homo-sapiens veia a cena há aproximadamente 5.000 anos, no fim do período glacial, sendo inicialmente caçador e coletor tornando-se depois pastor e agricultor.
Não se sabe, com certeza,se o homem pré-histórico praticava a antropofagia , mas há indícios de que o homem de Cro-Magnon matava e consumia como alimento o homem de Neandertal. Embora não haja conhecimento detalhado sobre o estado nutricional e da saúde do homem primitivo, parece que seu modo de vida estava sujeito a deficiência alimentares periódicas e , algumas vezes, fome. Contudo caçador/coletor ele não se enquadrava na imagem popular de uma criatura miserável, em estado de semi-inanição, lutando continuamente pela sobrevivência nutricional. Em termos de variedade em sua dieta, historicamente o homem alcançou o pináculo do sucesso quando caçador/coletor. A agricultura esboçou-se pelas exigências da alimentasção, tornando-se sedentários os que a ela se dedicavam. Domesticaram –se os animais a serem abatidos e a participarem das fainas, e o homem destruidor converteu-se em criador. O caçador perseguidor das presas animais para seu apetite de carnívoro, comendo-as a principio cruas e mais tarde cozinhando-as, quando o saber fazer fogo aluminou a barbárie, converteu-se em pastor de rebanhos e comedor de laticínios e, por fim, em seguida lavrador, cultivando cereais para si e forragem para seu gado. O desenvolvimento da agricultura marcou o inicio real da civilização. Certamente, a agricultura teve suas origens no vale do Nilo e partes da Ásia Menor, onde o homem pastoril podia permanecer em um lugar o tempo suficiente para ver do plantio a frutificação. A pratica do plantio e da colheita começou entre 5000 a 6000 a.c. e não parece provável que esta pratica resultasse da experimentação, como algumas vezes é sugerido; também não podemos acreditar na probabilidade de que alguém tivesse “ descoberto “ a agricultura, embora já os povos antigos atribuíssem a deuses a pratica desta divindade: Ísis, entre os egípcios, Demeter, entre os gregos, e Ceres, entre os romanos. A civilização cretense ou minuana adotou um regime alimentar que dependia menos da fertilidade do solo. “ Esse regime era baseado no azeite de oliveira, no vinho de uva, no peixe e no trigo, e revelou-se tão eficaz que permanece até hoje o regime básico da área mediterrânea.” O azeite e o vinho exigiam cultura sedentária e, ao mesmo tempo, criavam a procura de recipientes de cerâmica, dando impulso à especialização da arte nesse sentido. O uso do peixe para fornecer elementos protéicos de sua alimentação ligou a economia ao mar e deu nascimento às embarcações e proficiência náutica....
O mundo vegetal está estreitamente ligado à nutrição humana, contata-se, com surpresa, que a totalidade das plantas que servem atualmente à nossa nutrição vem sendo utilizada há milênios.
O trigo e a cevada parecem ter sido os primeiros cereais cultivados pelo homem ( provavelmente em Jarmo, Palestina,uma das mais antigas cidades do mundo), cerca de 8000 a.c. . Era uma variedade de trigo bastante diferente da utilizada para fabricar o pão, está ultima cultivada no Vale do Nilo cerca de 5000 a.c.; na China, cerca de 2500 a.c. e na Inglaterra, 2000 a.c. No crescente Fértil, que começa no Egito e estende-se à Síria, à Palestina, à Mesopotâmia e ao rio Indo, cultivava-se o trigo, a cevada e o centeio e o arroz, O milho miúdo já rea conhecido na pré-história e o milho comum foi encontrado na America desde sua descoberta por Colombo; o centeio surgiu na Grécia e em Roma.Os arqueólogos tem feito referencias ao cultivo das leguminosas nos tempos neolíticos, quando o homem estava deixando de ser caçador para se tornar agricultor. As leguminosas, que parecem ter sido alvo do primeiro estudo experimental escrito, são referidas não somente mo Livro de Daniel, mas também em Ezequiel ( cap. 4:9), na Gênese (cap. 25), na História de Esaú e Jacó, na Vitoria de Shammah no campo das lentilhas ( II Samuel 17:28). Além destes produtos merecem destaque, em face da grande importância que tiveram na história da alimentação, o mel, o pão, a cerveja e o vinho.
O mel de abelhas era muito utilizado como alimento. As abelhas foram talves, o primeiro animal domesticado pelo homem; eram consideradas animais sagrados e tinham nomes de sacerdotisas: Deborah, em hebreu, e Melitta, em grego. O hidromel foi muito consumido desde o século XVI e havia uma bebida chamada Tchemiga , contendo água e mel e 14 a 15% de açúcar. Há mais de 2.000 anos o pão se tornou o alimento simbolicamente típico. O pão de levedura foi descoberto acidentalmente, entre 5000 a 4000 a.c. pelos egípcios; eles verificaram que, quando cozinhava um liquido ácido no fogão obtinha um produto muito melhor que o pão que já era muito conhecido. A cultura do trigo surgiu depois.
A indústria da cervejaria nasceu dos processos pela fermentação de passas. Na França, o uso da cerveja era violentamente combatido e, e, Paris, as discussões sobre o assunto tornaram-se tão acirradas que foi preciso a intervenção do governo. Finalmente, após dois meses de estudo na Faculdade de Medicina, em 1666, com 75 votos contra 45, foi decidido que a cerveja era nociva à saúde. O fato despertou interesse literário e foi discutido no Parlamento francês que, em 1670, permitiu o uso da levedura e o aperfeiçoamento da cerveja. Os mais antigos vestígios da cerveja em terra alemã foram encontrados em um acampamento romano de Alzey, assaltado e incendiado em 352 d.c. pelos germânicos.
Os condimentos também têm sua significação na história da alimentação humana. O homem primitivo , como o atual, desejava alguma coisa a mais do que o alimento em si; foi o sabor que desenvolveu a arte de comer e a beber. A maioria dos condimentos veio do Oceano Índico, tendo sido a Índia, a Indonésia e o Ceilão os que mais contribuíram na sua disseminação. Os principais condimentos eram a canela, a noz moscada, o cravo,a pimenta e o gengibre. A noz moscada e o cravo valiam seu peso em ouro, sendo seu cultivo feito pelos chineses, séculos antes de cristo. A pimenta foi um dos primeiros condimentos utilizados pelos europeus. Nos tempos medievais, o mercador de condimentos era o homem mais rico. Uma libra de gengibre equivalia ao preço de um carneiro, um saco de pimenta valia a vida de um homem. Alarico pediu três libras de pimenta para suspender o cerco de Roma porque seus guerreiros adoravam pimenta. Em 1497, Vasco da Gama saiu de Lisboa para a Índia; parou em Moçambique, onde encontrou um árabe que io levou para Malabar. Lá recebeu condimentos; levou 1 ano para voltar a Portugal com uma carga de pimenta e canela, tornando-se famoso e rico.O uso do sal na alimentação humana constituiu um marco da civilização. Esse condimento deu origem a uma das mais antigas relações comerciais. Desde o fim do período neolítico, as grandes jazidas saliníferas da Europa constituíram pontos de tráfego no golfo de Gasconha, que se desenvolveu brilhantemente na Idade do Bronze. Na Itália, a rota que ligava Óstia a Sabina se chamava Via Salaria.
O sal foi objeto de um dos principais tráficos ao longo das estradas que ligavam Palmira ao golfo da Síria. Na África, barras de sal tinham valor de moedas. Fato interessante diz respeito à preservação de alimentos, que tem sido objeto de preocupação do homem desde os primórdios da historia . O homem primitivo verificou que cachos de uva deixados nas videiras desenvolviam um aroma e sabor muito agradável. Séculos antes da era cristã apreciava-se tanto esses frutos secos ao sol e guardados para serem consumidos durante o inverno.

Fonte: Livro História Da Nutrição E Da Alimentação

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