
Quais são os efeitos da maconha durante seu uso e quanto tempo este efeito dura?
O uso da maconha (Cannabis sativa) acompanha a história do homem. Dependendo da época, ela foi utilizada pelos seus efeitos psicológicos, com os mais diversos fins medicinais e suas fibras foram usadas na confecção de cordas e roupas. O efeito estimulante foi descoberta na Índia onde era utilizada para estimular o apetite, curar doenças venéreas e induzir o sono. A forma mais comum de uso da maconha é fumada (é insolúvel em água, por isso não pode ser injetada). O efeito é atingido rapidamente (1 a 10 minutos), mas o pico da ação ocorre após cerca de 30 minutos. Após 45 a 60 minutos os efeitos começam a diminuir, mas como a liberação do corpo é lenta, é possível encontrar traços da droga na urina até semanas ou meses após o uso.A maconha é considerada uma droga perturbadora por produzirem distorções qualitativas no funcionamento do cérebro, como delírios, alucinações e alterações na capacidade de discriminar medidas de tempo e espaço. Os efeitos do uso são: leve estado de euforia, relaxamento, melhora da percepção para música, paladar e sexo, prolonga a percepção de tempo, risos imotivados, comportamento mais falante e devaneios. Os olhos ficam avermelhados, a boca seca e há a ocorrência de taquicardia. Porém não há registro de morte por intoxicação
Como a pessoa se comporta logo após o efeito estar passando?
O comportamento após o efeito estar passando depende da personalidade, da quantidade de uso e do contexto onde a pessoa está inserida. Para alguns pode haver sonolência, aumento do apetite, relaxamento, para outros pode haver maior agressividade, ansiedade e busca por dar continuidade ao uso.
Quais são as mudanças comportamentais que ocorrem após um longo período de uso da maconha?
Os efeitos psíquicos crônicos da maconha, provocado pelo uso continuado, interferem na capacidade de aprendizagem e de memorização, podendo induzir a um estado de diminuição da motivação. Nesse caso, a pessoa não sente vontade de fazer mais nada, tudo parece ficar sem graça e sem importância. Há também provas científicas de que, se o usuário tem uma doença psíquica, mas que ainda está "sob controle", ou já manifestada, mas está controlada por medicamento, a maconha piora o quadro, pois ela pode anular o efeito do medicamento ou ser o "estopim" que faria a doença se manifestar.Os efeitos crônicos da maconha são mais graves. No homem o uso prolongado de maconha pode provocar uma diminuição da testosterona (hormônio que confere ao homem maior quantidade de músculos, a voz mais grossa, barba, também é responsável pela fabricação do espermatozóides). Na mulher pode trazer alterações hormonais chegando até a inibição da ovulação. O uso contínuo pode afetar também os pulmões (a fumaça é muito irritante), sendo comum os problemas respiratórios, principalmente a bronquite. Animais de laboratório expostos cronicamente à maconha passam a apresentar maior incidência de câncer do que animais controles.Assim, o uso regular da maconha pode gerar, após longos períodos de tempo, ansiedade, paranóia, pânico, depressão, prejuízo da memória e da habilidade de resolver problemas, redução da testosterona, pressão arterial alta, asma, bronquite, psicose entre as pessoas com histórico familiar de esquizofrenia, doenças do coração e crônicas obstrutivas das vias aéreas, cânceres, problemas de atenção e motivação, prejuízo na memória e na concentração, comprometendo o desempenho de tarefas complexas e rendimento intelectual.
A maconha é realmente uma droga “leve”, como é considerada? Ela pode causar o vício?
A dependência química ocorre de maneira diferenciada para cada usuário e em alguns pode até não ocorrer. Não necessariamente quem usa maconha irá se tornar dependente, pois outros fatores estão associados para que se instaure a doença. A maconha é entendida como uma droga leve por não termos registro de casos de morte por intoxicação e pela existência de uma certa hierarquia entre as drogas, que a colocam na base, tendo outras substâncias muito mais perigosas e “pesadas” acima dela.
A maconha é a porta de entrada para outras drogas?
Pode ser, mas isso não é uma regra. Pesquisas apontam que o álcool e a maconha podem ser grandes fatores de risco para o uso de drogas mais pesadas, porém o que existe é uma busca por experimentação dos demais tipos de drogas dentro da hierarquia das mesmas. Pode-se dizer que a busca por novas formas de prazer, talvez ainda mais imediatos é considerada uma porta de entrada ao mundo das demais drogas
É necessário internar seu usuário em uma clínica de reabilitação para que ele se livre da maconha?
Para que a pessoa deixe de usar a droga, em primeiro lugar ela tem que desejar parar o uso. O desejo, a vontade, é 90% do sucesso. E em relação à necessidade de internação, isso depende muito para cada pessoa. Algumas conseguem parar de usar sozinhas, outras precisarão de tratamento e acompanhamento especializado, porém, não se pode determinar que seja a internação, porque além dela existem os grupos de auto-ajuda e os centros de atendimento psicossocial.
Qual a diferença entre a maconha e o haxixe?
Basicamente a diferença está na potência e na forma de uso. O haxixe é uma forma concentrada da maconha, geralmente sendo apresentada (chamada) em forma de “bolinha, bola ou bolota”. A pessoa pode engolir ou fumar o haxixe. Em relação à potência, o haxixe apresenta uma potência mais elevada do que as folhas e flores de maconha.
Fonte: Dra. Gislaine Pereira Tavares
Mestre em Psicologia pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Atua em psicologia social, violência, drogadição, educação, relações familiares e políticas públicas.