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quinta-feira, 16 de julho de 2009

História do chá


Existem várias lendas em torno das origens do chá. A mais popular é uma lenda chinesa que conta que no ano 2737 a.C., o imperador Shen Nung descansava sob uma árvore quando algumas folhas caíram em uma vasilha de água que seus servos ferviam para beber. Atraído pelo aroma, Shen Nung provou o líquido e adorou. Nascia aí, o chá.
Esta lenda é divulgada como a primeira referência à infusão das folhas de chá verde, provenientes da planta Camellia sinensis, originária da China e da Índia. O tratado de Lu Yu, conhecido como o primeiro tratado sobre chá com caráter técnico, escrito no séc. VIII, durante a dinastia Tang, definiu o papel da China como responsável pela introdução do chá no mundo.
No inicio do século IX monges japoneses levaram algumas sementes e introduziram a cultura do chá que se desenvolveu rapidamente. O chá experimentou nestes dois países - China e Japão - uma evolução extraordinária, abrangendo não só meio técnico e econômico, mas também os meios artísticos, poéticos, filosóficos e até religiosos. No Japão, por exemplo, o chá é protagonista de um cerimonial complexo e de grande significado.
Inicialmente, foi o Japão responsável pela divulgação da utilização do chá, fora da China, porém sua chegada a Europa não foi rápida. Referências antigas na literatura européia a respeito do chá, mostram o relato de Marco Pólo em sua viagem e que o português Gaspar da Cruz teria citado o chá numa carta dirigida ao seu soberano. Já a sua importação para o continente europeu ocorreu no início do séc. XVII pelos holandeses, em função do comércio que então se estabelecia entre a Europa e o Oriente.
A partir do século XIX na Inglaterra, o consumo de chá difundiu-se rapidamente, tornando-se uma bebida muito popular. Essa popularidade estendeu-se aos países com forte influência inglesa, como os Estados Unidos, Austrália e Canadá. Hoje, o chá é a bebida mais consumida em todo o mundo.

Cerimônia do chá

Em nenhuma outra parte do mundo, o chá teve uma contribuição ao meio cultural foi tão notável quanto no Japão, onde seu preparo e sua apreciação adquiriram uma forma distinta de arte. No Japão, as pessoas, ao serem convidadas para uma reunião de chá, costumam comparecer com antecedência: aguardam sentadas em uma pequena sala, desfrutando da companhia uma das outras e desligando-se das atribulações do cotidiano. Esse encontro representa a manifestação clara de uma sensibilidade interior que se adquire através do estudo e da disciplina do Chado (TCHADÔ), o Caminho do Chá. Chado é um termo relativamente recente, com o qual se designa o ritual de preparar e tomar o chá, originado no século XV. Nessa época, o chá era utilizado como um suave estimulante, que favorecia ao estudo e à meditação, tendo sido valorizado também como uma erva medicinal.


A partir disto, mestres de chá devotos do Chado, desenvolveram uma estética, que se inseriu na cultura japonesa. Houve, entretanto, um mestre de chá que, durante toda a sua existência, concebeu essa filosofia como um estilo de vida e instituiu o Chado como um meio de transformar a própria vida em uma obra de arte - Mestre Sen Rikyu. Sen Rikyu resumiu os princípios básicos do Chado nestas quatro palavras: Wa, Kei, Sei e Jaku.
Wa significa harmonia. A harmonia entre as pessoas, a pessoa com a natureza e a harmonia entre os utensílios do chá e a maneira como são utilizados.
Kei significa respeito. Respeitam-se todas as coisas com um sincero sentimento de gratidão pela sua existência.
Sei significa pureza, tanto universal, quanto espiritual.
Finalmente, Jaku significa tranqüilidade ou paz de espírito e isto resulta da percepção dos três primeiros princípios.
Os monges Zen, que introduziram o chá no Japão, estabeleceram os fundamentos espirituais para o Chado e desenvolveram a estética do chá, incluindo, não apenas as regras para preparar e servir o chá, mas também a manufatura dos utensílios, o "conhecimento" das belas artes e das artes aplicadas, o "desenho" e a construção das salas de chá, a arquitetura dos jardins e a literatura.
Uma xícara de chá, preparada segundo os princípios do Chado, é o resultado de uma ritual de simplicidade desenvolvido para atender as necessidades de busca da tranqüilidade interior do homem.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

A CARÊNCIA ALIMENTAR DO PASSADO RECENTE


Há algum tempo, nossos problema de saúde era a principalmente as doenças infecciosas: pneumonia, tuberculose, difteria, febre tifóide e varíola eram as piores. Com o avanço da medicina, das condições sanitárias e da saúde pública, foi eliminada a maior parte das epidemias infecciosas. Uma nova série de doenças nos aflige agora: são as pragas modernas, já que seus índices aumentaram juntamente com o aumento da venda e distribuição de certos alimentos, assim como o crescimento da tecnologia dos alimentos.
No topo da lista estão diabete, câncer, doença cardíaca, ataque cardíaco e obesidade. A lista também inclui: asma, artrite, ansiedade e depressão, esquizofrenia, violência e outras.

É interessante lembrar que as deficiências alimentares já causaram sérios problemas de saúde, não sendo um fenômeno novo na historia. Assim mais de 100 anos atrás, o arroz polido branco substituiu o marrom integral como alimento básico em todo o Oriente ( Japão, Índia , Indonésia, etc.). A razão disso era simples: arroz branco se conserva melhor , podendo ser armazenado durante meses ou anos, sem deterioração. Entretanto, a casca externa, eliminada, contém maior parte das vitaminas e dos minerais do grão. Sem esses vitaminas, a dieta ficou deficiente em tiamina ( vitamina B1). A deficiência causou epidemias de beribéri, que mataram e aleijaram milhares de pessoas. No beribéri seco, os nervos degeneravam e os músculos atrofiavam. A paralisia iniciava-se nas pernas e se espalhavam para o resto do organismo. Podia a ver psicose grave. No beribéri úmido, as vitimas apresentavam insuficiência cardíaca congestiva e grandes edemas. Os sintomas apontavam para muitas doenças. Mas, as evidencias finalmente indicaram uma doença: o beribéri. A tiamina foi sintetizada nos laboratórios na década de 1930 e , quando introduzida na dieta, muitos pacientes enfraquecidos ou doentes mentais apresentaram melhoras recuperação milagrosa.

Outra deficiência, a pelagra ( deriva da palavra italiana, que significa pele grosseira), devastou a Europa durante o século XVIII. A pelagra comprometia muito mais do que a pele. Causava problemas mentais e físicos. Alguns sintomas eram diarréia, dermatite e demência ( os 3Ds). A boca e a língua ficavam vermelhas e ulcerada. Às vezes, as ulceras se estendiam para o trato digestivo , com dor , diarréia ou constipação.a pele podia apresentar-se seca, erimatose escamosa, com espessamentos e cicatrizes permanentes. Fadiga, enfraquecimento, cefalalgia e artrite eram outros sintomas apresentados. Os sintomas mentais podiam variar de irritabilidade, nervosismo e depressão, a neurose e psicose grave.

A maioria das pessoas afetadas subsistia com dietas deficientes , constituídas por óleo de milho, xarope de milho, um pouco de banha, milho ou óleo de algodão e biscoitos de farinha de trigo refinada. As vitimas raramente tinham acesso a dietas melhores, com leite, ovoc, carne ou peixe.

Foram necessários 100 anos para os médicos reconhecerem e reunirem os varia dos sintomas numa única doença. Mesmo assim , a maioria das autoridades medicas resistia contra a conexão entre doença e nutrição, continuando a procurar uma causa infecciosa. Em 1937, a niacina foi identificada como membro de vitaminas do grupo B, sendo indentificada com o “fator que previne a pelagra”. Logo a após, Oe relatórios médicos descreveram recuperações milagrosas em pacientes que recebiam niacina. Em 1945, os cientistas descobriram que a niacina , em pequenas quantidades , poderia ser formada no organismo a partir do triptofano. Outro mistério fora resolvido.

Nós sempre fomos lentos para reconhecer deficiências nutricionais no passado. A historia da vitamina C é particularmente sugestiva. Hoje sabemos que a deficiência de vitamina C na dieta produz escorbuto, uma doença antiga, muitas vezes mortal, caracterizada por lesões cutâneas, vômitos sanguinolentos e morte. Mas isso não era sabido pelas nações da Europa Ocidental quando, no século XV, colocavam seus navios no oceano. Sem vegetais e frutas suficientes, as missões perderam grande parte da tripulação devido ao escorbuto.


Na viagem de Vasco da Gama à Índia, em 1497, entre Moçambique e Sofala, começou a aparecer o escorbuto na tripulação. O cronista Lopes de Castanheda descreve que, depois de transpor o Cabo das Tormentas, Vasco da Gama acreditou já estar encontrando sinais da Índia que procurava. Por isso, colocou o nome de Bons Sinais no rio a que chegou, nas costas de Moçambique, e resolveu consertar aí os seus navios,...

(...) o que foi feito em trinta e dois dias, e o consertaram muito bem: e neste passaram nossos assaz de trabalho com uma doença que lhes sobreveio (parece que do ar daquela região) que a muitos lhes inchavam as mãos, e as pernas e os pés. E com isto lhes cresciam tanto as gengivas sobre os dentes que não podiam comer e apodreciam-lhe, de maneira que não havia quem suportasse o fedor da boca, e com estes males padeciam dores mui grandes, e morreram alguns o que pôs a gente em grande desmaio.
(...) e mais por adoecerem os mais deles de lhe incharem as gengivas e lhes apoderecerem assim como no rio dos bons sinais e faziam-se-lhe medonhas chagas nas pernas e nos braços de que morreram trinta pessoas e os outros tanto montavam como mortos que não se podiam bolir, e com isto ia faltando a água e apertava-se a regra.

Vasco da Gama tinha 148 homens ao partir de Lisboa e retornou com 55. A maior parte dos 93 mortos pereceu de escorbuto. Como se vê, Castanheda acreditava tratar-se de uma doença do próprio local ("do ar daquela região").
Finalmente, em 1747, um cirurgião naval Inglês chamado James Lind descobriu que as laranjas e limões curavam pacientes com escorbuto. Seus clássicos estudos, publicados em 1753, são os primeiros a provar que um elemento essencial da alimentação podia prevenir a doença. Após outros 50 anos, a marinha britânica exigiu rações de limões ou laranjas em seus navios. A molécula de vitamina C ( ácido ascórbico) não seria descoberta até 1932, quando Charles Glenn King e W.A Waugh, da universidade de Pittsburgh, isolaram a substância cristalina do suco de limão.
FONTE:
O Equilibrio do ácidos gordurosos.

sábado, 29 de novembro de 2008

As origens do café












Corre uma lenda sobre as origens do café contando que, num dado momento do século III d. C., um pastor de cabras, chamado Kaldi, certa noite ficou ansioso quando suas cabras não retornaram ao rebanho. Quando saiu para procurá-las, encontrou-as saltitando próximo a um arbusto cujos frutos estavam mastigando e que obviamente foi o que lhes deu a estranha energia que Kaldi nunca vira antes. Dizem que ele mesmo experimentou os frutos e descobriu que eles o enchiam de energia, como aconteceu com o seu rebanho. Kaldi evidentemente i levou essa maravilhosa "dádiva divina" ao mosteiro local, mas as reações não foram favoráveis e ele ateou fogo nos frutos, dizendo serem "obra do demônio". O aroma exalado pelos frutos torrados nas chamas atraiu todos os monges para descobrir o que estava causando aquele maravilhoso perfume e os grãos de café foram rastelados das cinzas e recolhidos. O abade mudou de idéia, sugeriu que os grãos fossem esmagados na água para ver que tipo de infusão eles davam, e os monges logo descobriram que o preparado os mantinha acordados durante as rezas e períodos de meditação. Notícias dos maravilhosos poderes da bebida espalharam-se de um monastério a outro e, assim, aos poucos espalharam-se por todo mundo.
As evidências botânicas sugerem que a planta do café origina-se na Etiópia Central (onde ainda crescem vários milhares de pés acima do nível do mar). Ninguém parece saber exatamente quando o primeiro café foi tomado lá (ou em qualquer parte), mas os registros dizem que foi tomado em sua terra nativa em meados do século XV Também sabemos que foi cultivado no Iêmen (antes conhecido como Arábia), com a aprovação do governo, aproximadamente na mesma época, e pensa-se que talvez os persas levaram-no para a Etiópia no século VI d.C., período em que invadiram a região.

À medida que o café tornou-se cada vez mais popular, salas especiais nas casas dos mais abastados foram reservadas para se tomar café, e casas de café começaram a aparecer nas cidades. A primeira abriu em Meca, no final do século XV e início do XVI e, embora originalmente fossem lugares de reuniões religiosas, esses amplos saguões onde os clientes se sentavam em esteiras de palha ou colchões sobre o chão, rapidamente tornaram-se centros de música, dança, jogos de xadrez, gamão, conversas em locais em que se faziam negócios.
Sua popularidade espalhou-se por Cairo, Constantinopla e para todas as partes do Oriente Médio, mas os muçulmanos devotos desaprovavam todas as bebidas tóxicas, incluindo o café, e consideravam as casas de café como uma ameaça à observância religiosa. Às vezes, esses centros populares de diversão eram atacados e destruídos por fanáticos religiosos, e alguns governantes apoiavam a proibição do café e impunham punições aterrorizadoras: aqueles que desobedecessem poderiam ser açoitados, presos dentro de um saco de couro e atirados no Bósforo.
Enquanto isso, comerciantes europeus da Holanda, Alemanha e Itália certamente estavam exportando grãos e, também, tentando introduzir a lavoura em suas colônias. Os holandeses foram os primeiros a iniciar o cultivo comercial no Sri Lanka, em 1658, e então em Java, em 1699, e por volta de 1706 eles estavam exportando o primeiro café de Java e estendendo a produção para outras partes da Indonésia. Em 1714, os holandeses bem-sucedidos presentearam Luís XIV da França com um pé de café que cresceu numa estufa em Versailles e quando deu frutos, as sementes foram espalhadas e as mudas foram levadas para o cultivo na ilha de Réunion, na época chamada de Ilha de Bourbon. A variedade de arbustos de café que se desenvolveu daquela árvore em Paris tornou-se conhecida como o café Bourbon e foi a fonte original de grãos hoje conhecidos no Brasil como Santos e no México como Oaxaca.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Fomes: História e Classificação. Prática do Canibalismo



Ao analisarmos a história da alimentação e da nutrição não podemos deixar de tecer algumas considerações a respeito da fome, conceituada como a manifestação cenestésica, orgânica e psíquica da vida em perigo por falta de alimentos. Sua sensação é o sinal de alarme do organismo.
O termo fome existe em todo os idiomas e sua importância transcende o fato biológico da fome individual até o processo psicopatológico da loucura por inanição, ao fenômeno e ao drama social da miséria coletiva.
Varias são as causas desse fenômeno que pode ter diferentes formas segundo sua origem, grau e duração. Waldorf classifica a fome em dois tipos: naturais e artificiais. Entre as primeiras figuram as fomes provocadas pelos fenômenos da natureza ( seca, enchentes, geleiras, etç..), enquanto as fomes artificiais são as decorrentes das guerras e de fatores econômico-sociais, bem como as decorrentes da ação predatória do homem ( destruição de florestas, poluição ambiental, etç.).
Morgulis distingue três formas de fome: fisiológica ( a normal), patológica ( a que traz transtornos funcionais e orgânicos) e subalimentação experimental completa ou parcial ( induzida para fins de estudo).
Quanto à sua continuidade e tempo de aparecimento, a fome pode ser classificada em aguda e crônica. Na primeira, a falta de alimentos é brusca e completa e o quadro clinico é rápido e grave; na segunda , a falta de alimentos é lenta, progressiva e geralmente incompleta.
Também pode ser classificada como temporária ou periódica; é a fome que ocorre poucos dias e se repete de tempos em tempos, voluntariamente, como acontece nos casos de experimentação, terapia, jejum religioso, etç.
Segundo a extensão da falta de alimentos, distinguem-se dois tipos de fome: total e parcial. No primeiro, a supressão de alimentos é completa ( fome aguda); no segundo. É incompleta e pode ser mais prolongada.
Falck considerou a quantidade de alimentos e distinguiu dois grupos: casos de inanição com alimentos suficientes ( impossibilidade, patológica ou voluntária) e com falta de alimentos ( acidentes, etç.).
Rojas propõe uma classificação que considera a etiologia psicogenética: fome involuntária e fome imposta.
Conforme se pode verificar, existem vários tipos de fome, mas o enfoque especial é à chamada fome coletiva, considerada um dos piores sofrimentos impostos à humanidade nos diversos dramas de sua complexa vida social, quando a inanição grave ou falta afeta toda uma cidade, região ou país. A causa, de ordem geral, é um fator ambiental: a falta de alimentos por motivos naturais ( colheitas desastrosa ou terremoto, por exemplo) ou artificiais ( miséria de uma guerra, cerco de uma cidade ou bloqueio de um país, etç)
O estigma da fome encontra-se entre os primeiros registros autênticos da história. Sinais de sua ocorrência foram encontrados esculpidos em túmulo de granito, na Ilha de Sahal, no rio Nilo. Ao que tudo indica, esse entalhamento foi feito no período de Tcheser, aproximadamente 2000 anos antes de Abraão.
O velho testamento faz muitas referências à inanição e à fome. Na época de José, o desenvolvimento do celeiro tinha progredido tanto que seu controle era de imensa significação política sendo utilizado como instrumento para escravizar povos. Conta-se que, através do controle de grãos, os Faraós do Egito tornaram-se grandes proprietários e alugavam suas terras aos camponeses, os quais, daí em diante, ficavam inteiramente subordinados aos monarcas. Esse processo foi descrito por Flavius Josephus, um dos grandes historiadores de Roma antiga, e foi confirmado por egiptólogos modernos. O fato ocorreu 1500 a 2082 anos a. c. provavelmente no reinado de Apholis, no fim da décima sétima disnatia.
Estima-se que aproximadamente 47.237.000 seres humanos foram vitimados pela fome qua assolou diversos países entre 1669 e 1793, em conseqüência de fatores naturais e artificiais.
Katz afirma que muitas revoluções da história devida à fome e em todas as guerras os problemas alimentares em importância, seja entre os fatores que desencadeiam a guerra, seja entre os que pesam em seu final.
A história registra alguns caos de fome ocorridos na Antiguidade, como as decorrentes do trágico cerco de Jerusalém pelas tropas de Tito, no ano 70, e sob o domínio dos Ptolomeu, no Egito. O fenômeno também foi observado com freqüência na Idade Média, em diversos países .
Da Bíblia Sagrada extraímos os seguintes textos: “ Ora, a fome crescia todos os dias em toda a terra; e José abriu todos os celeiros, e vendia aos egípcios; porque também a eles oprimia a fome. E todas as províncias vinham ao Egito, para comprar de comer e procurar alivio ao mal da carestia.
“...o pão em todo o mundo e a fome oprimia toda a terra, principalmente o Egito e Canaã. E José recolheu destes países todo o dinheiro pela venda do trigo...”
A origem de Buenos Aires está vinculada a um surto de fome. Os espanhóis depois de uma derrota, se refugiaram na cidade e a escassez de víveres foi horrível. Três deles mataram e comeram um cavalo e foram condenados à morte por enforcamento. Seus cadáveres foram comidos até a cintura a noite, pelos companheiros famintos.
A Índia tem sido um país várias vezes castigados pelas epidemias de fome coletiva. A mortalidade tem sido espantosa e na fome de 1876 morreram 5,5 milhões de pessoas. Na fome que assolou Irlanda, de 1797 a 1803 e na de 1816 a 1818, 700.000 pessoas morreram.
De 1630 a 1637, na chamada “ Guerra dos Trinta Anos”, calcula-se que em Lorena morreram de fome e peste mais de 600.000 pessoas.
O homicídio por fome está vinculado ao chamado “ canibalismo” e “antropofagia “, por próprios de certas tribos selvagens.
Um dos primeiros relatos de canibalismo aparece no século IX a.c.
Há evidencias de alguns depósitos paleolíticos demonstrando o canibalismo ocasional. Herótodos , Strabo e outros referem-se a povos do Mar Cáspio que matavam as pessoas idosas e as comiam. Na idade Média, Marco Polo e outros atribuíram o canibalismo a tribos selvagens da Chinam Tibete, etç. O canibalismo simplesmente alimentar é encontrado na áfrica Ocidental, onde antigamente a carne humana era exposta à venda nos mercados públicos e algumas tribos vendiam os cadáveres dos parentes. A prática de comer os parentes mortos como mais respeitoso método de possuir lembrança do mesmo está combinada ao costume de matar os velhos e doentes.
O canibalismo é um fenômeno esporádico e excepcional entre os povos civilizados, mesmo nos períodos de fome extrema. Entretanto, na Irlanda, em 1316. Oito escoceses foram ingeridos como alimento. Em 1945, quando as forças aliadas de apoderaram de Belsen, houve canibalismo. Markowiski afirma que o canibalismo não era não era raro entre os prisioneiros de guerra russos e poloneses no campo de Brandenburg . Na Índia e na China, países assolados por fome extremas, existem poucos registros de canibalismo, fato atribuído talvez à crença religiosa básicas.
Na Rússia, cuja agricultura e indústria foram devastadas por guerra sangrenta e longa, em 1922 ocorreu um surto de fome extrema e houve prática de canibalismo. Na região do Volga, os adultos comiam as crianças mortas às centenas, as famílias comiam seus mortos e alguns chegavam a desenterrar cadáveres congelados para comê-los . O professor Kharkow demonstrou que 26 seres humanos foram mortos devorados por seus assassinos. Em 7 casos, a carne foi vendida nos mercados públicos. Em muitas áreas, os cemitérios tinham que ser vigiados para que os mortos não fossem exumados e devorados.
Colmet e Newmann escreveram que, em Lorena, a fome era tão grande que todas as imundícies eram devoradas e os homens, em último caso se entre devoravam. Os filhos devoravam os pais e vice versa; os viajantes não dormiam tranqüilos junto ao companheiro de viajem.
Na grande seca que assolou o Ceará (1877 1880) , Nordeste brasileiro , onde muitos morreram edemaciados devido à carência de proteínas, por caquexia, beribéri, pelagra e outras doenças, citam-se casos de antropofagia.

Fonte: Livro História DA Nutrição E DA Alimentação

terça-feira, 8 de julho de 2008

História da Nutrição e da Alimentação




A história da nutrição e da alimentação ocorre paralelamente à da história do homem na face da terra.Na pré-história e história, o homem sempre procurou localizar-se sempre inde havia suplência de alimentos, água e onde as condições climáticas eram mais favoráveis à sua sobrevivência; tem sido sempre um integrante do ecossistema, do qual não pode afastar-se. Seu tipo de alimentação obedeceu primitivamente ao instinto. Com a civilização, foi perdendo o instinto e procurando alimentar-se segundo as normas aconselhadas ou também de acordo a oferta da natureza, no que perdeu mais do que ganhou. Relativamente ao alimento, costuma-se dividir a história da humanidade em três importantes eras. A primeira foi caracterizada pelo consumo de alimentos ofertados pela natureza (vegetais e animais selvagens), o que era feito através da caça, da pesca ou da coleta. A evoluçao das sociedades humanas em 3 etapas: 1) caçadores; 2) pastores sem estabelecimentos fixos (nômades); e 3) sedentários ( cultivo do solo ou prática da agricuicultura; admite que o espirito de iniciativa pode fazer com que o homem adote o nomadismo ou se fixe à terra.
Através dos séculos, confiando no instinto e em suas descobertas empíricas, o homem aprendeu a distinguir o que era comestível e bom para ele. Apesar de conhecer a natureza dos processos nutritivos, nossos ancestrais revelavam cuidado e sagacidade na escolha dos seus alimentos, pois em toda parte a historia alimentar humana tem constituído um dos problemas mais sérios com que o homem tem se defrontado.
Os povos primitivos experimentaram tudo que lhes pareceu valioso no setor alimentar. Muito antes do alvorecer da história, por exemplo, os mascadores de folhas de coca, na América do Sul, os devotos de Kat, no Oriente Próximo, e os comedores de lótus do Extremo Oriente descobriram que esses produtos vegetais pode acalmar as dores e agem como estimulantes, produzindo também sonhos agradáveis.
Sem dúvida, o homem pré-histórico realizou experimentos nutricionais através dos tempos, quando começou a suplementar a sua dieta vegetariana com ovos, répteis e pequenos mamíferos.
Aproximadamente há 1 milhão de anos atrás, na China, o homo sapiens comia carne de animais, inclusive a medula do osso da perna, que fornece vitaminas, ferro e fosfolipídios. Através dos séculos, o homem foi ficando mais hábil como caçador, coletor de alimentos e agricultor. O apetite deve ter estimulado os sentidos do homem primitivo, fazendo-o distinguir novos e desejáveis odores; assim, foi levado a experimentar e saborear alimentos ainda desconhecidos. Aceitava aqueles que satisfaziam seu gosto e recusava os que lhes causavam repugnância. Desse modo, o sabor e o odor devem ter desempenhado importante papel no estado nutriticional do homem primitivo.
Na pré-história, ao que parece, o homem era predominantemente carnívoro porque, durante o período glacial e interglacial, não havia vegetação no solo gelado; é o que indicam os fósseis. Comer em grupo era um prazer para o homem primitivo; alimentava-se abundantemente de animais de grande porte, como o elefante, fartava-se quando aliviado , consumia mais alimentos; não pensava no amanhã.
Aproximadamente no ano 8000 a.c.; o clima foi aquecendo e o período glacial foi chegando ao fim. O principal sinal dessa modificação foi o reflorestamento da Europa. Aos 5000 a.c.; os europeus ainda eram caçadores e coletores, mas tinham abandonado o uso da acrne pura. O aquecimento das águas, no fim do período glacial originou a abundancia de peixes e provocou o aparecimento das galinhas-d'água, dos ovos, dos alimentos marinhos e terrestres ( lebre, cobra, lesma) vegetais e raízes, nozes e outros. Havia gado selvagem, veado e outros animais, plantas e árvores frutíferas.
Num vôo de mais de meio milhão de anos, não há homens, e sim infra-homens. O homo sapiens dos aurinhacense, o de Cro-Magnon , teve alimentação de carne assando-a, abatendo caça diária. Antes dele, todos os depósitos encontrados e estudados pelos arqueólogos evidenciam o vasto material lítico para as atividades cinegéticas. A presença do lume e os resíduos de alimentação carnívora afastam indiscutivelmente a fase de raízes e frutos.
No fim do período glacial, a nudez do solo levou o homem e os animais a se reunirem em torno de lagos e rios. O home primitivo começou a observar que as sementes no solo produziam colheitas ao fim de poucos meses. Isto aconteceu no Oriente Próximo, onde o homem passou de coletor a produtor de alimentos. Foi o marco do inicio da civilização com a agricultura sendo iniciada nas praias do mar Cáspio, limite do Irã com a Rússia. A cultura de hortaliças estendeu-se, em seguida, ao Irã e vales do Nilo e do Indo. As grandes civilizações da Mesopotâmia e do Egito se desenvolveram depois que os alimentos começaram a ser cultivados. Admite-se que o homo-sapiens veia a cena há aproximadamente 5.000 anos, no fim do período glacial, sendo inicialmente caçador e coletor tornando-se depois pastor e agricultor.
Não se sabe, com certeza,se o homem pré-histórico praticava a antropofagia , mas há indícios de que o homem de Cro-Magnon matava e consumia como alimento o homem de Neandertal. Embora não haja conhecimento detalhado sobre o estado nutricional e da saúde do homem primitivo, parece que seu modo de vida estava sujeito a deficiência alimentares periódicas e , algumas vezes, fome. Contudo caçador/coletor ele não se enquadrava na imagem popular de uma criatura miserável, em estado de semi-inanição, lutando continuamente pela sobrevivência nutricional. Em termos de variedade em sua dieta, historicamente o homem alcançou o pináculo do sucesso quando caçador/coletor. A agricultura esboçou-se pelas exigências da alimentasção, tornando-se sedentários os que a ela se dedicavam. Domesticaram –se os animais a serem abatidos e a participarem das fainas, e o homem destruidor converteu-se em criador. O caçador perseguidor das presas animais para seu apetite de carnívoro, comendo-as a principio cruas e mais tarde cozinhando-as, quando o saber fazer fogo aluminou a barbárie, converteu-se em pastor de rebanhos e comedor de laticínios e, por fim, em seguida lavrador, cultivando cereais para si e forragem para seu gado. O desenvolvimento da agricultura marcou o inicio real da civilização. Certamente, a agricultura teve suas origens no vale do Nilo e partes da Ásia Menor, onde o homem pastoril podia permanecer em um lugar o tempo suficiente para ver do plantio a frutificação. A pratica do plantio e da colheita começou entre 5000 a 6000 a.c. e não parece provável que esta pratica resultasse da experimentação, como algumas vezes é sugerido; também não podemos acreditar na probabilidade de que alguém tivesse “ descoberto “ a agricultura, embora já os povos antigos atribuíssem a deuses a pratica desta divindade: Ísis, entre os egípcios, Demeter, entre os gregos, e Ceres, entre os romanos. A civilização cretense ou minuana adotou um regime alimentar que dependia menos da fertilidade do solo. “ Esse regime era baseado no azeite de oliveira, no vinho de uva, no peixe e no trigo, e revelou-se tão eficaz que permanece até hoje o regime básico da área mediterrânea.” O azeite e o vinho exigiam cultura sedentária e, ao mesmo tempo, criavam a procura de recipientes de cerâmica, dando impulso à especialização da arte nesse sentido. O uso do peixe para fornecer elementos protéicos de sua alimentação ligou a economia ao mar e deu nascimento às embarcações e proficiência náutica....
O mundo vegetal está estreitamente ligado à nutrição humana, contata-se, com surpresa, que a totalidade das plantas que servem atualmente à nossa nutrição vem sendo utilizada há milênios.
O trigo e a cevada parecem ter sido os primeiros cereais cultivados pelo homem ( provavelmente em Jarmo, Palestina,uma das mais antigas cidades do mundo), cerca de 8000 a.c. . Era uma variedade de trigo bastante diferente da utilizada para fabricar o pão, está ultima cultivada no Vale do Nilo cerca de 5000 a.c.; na China, cerca de 2500 a.c. e na Inglaterra, 2000 a.c. No crescente Fértil, que começa no Egito e estende-se à Síria, à Palestina, à Mesopotâmia e ao rio Indo, cultivava-se o trigo, a cevada e o centeio e o arroz, O milho miúdo já rea conhecido na pré-história e o milho comum foi encontrado na America desde sua descoberta por Colombo; o centeio surgiu na Grécia e em Roma.Os arqueólogos tem feito referencias ao cultivo das leguminosas nos tempos neolíticos, quando o homem estava deixando de ser caçador para se tornar agricultor. As leguminosas, que parecem ter sido alvo do primeiro estudo experimental escrito, são referidas não somente mo Livro de Daniel, mas também em Ezequiel ( cap. 4:9), na Gênese (cap. 25), na História de Esaú e Jacó, na Vitoria de Shammah no campo das lentilhas ( II Samuel 17:28). Além destes produtos merecem destaque, em face da grande importância que tiveram na história da alimentação, o mel, o pão, a cerveja e o vinho.
O mel de abelhas era muito utilizado como alimento. As abelhas foram talves, o primeiro animal domesticado pelo homem; eram consideradas animais sagrados e tinham nomes de sacerdotisas: Deborah, em hebreu, e Melitta, em grego. O hidromel foi muito consumido desde o século XVI e havia uma bebida chamada Tchemiga , contendo água e mel e 14 a 15% de açúcar. Há mais de 2.000 anos o pão se tornou o alimento simbolicamente típico. O pão de levedura foi descoberto acidentalmente, entre 5000 a 4000 a.c. pelos egípcios; eles verificaram que, quando cozinhava um liquido ácido no fogão obtinha um produto muito melhor que o pão que já era muito conhecido. A cultura do trigo surgiu depois.
A indústria da cervejaria nasceu dos processos pela fermentação de passas. Na França, o uso da cerveja era violentamente combatido e, e, Paris, as discussões sobre o assunto tornaram-se tão acirradas que foi preciso a intervenção do governo. Finalmente, após dois meses de estudo na Faculdade de Medicina, em 1666, com 75 votos contra 45, foi decidido que a cerveja era nociva à saúde. O fato despertou interesse literário e foi discutido no Parlamento francês que, em 1670, permitiu o uso da levedura e o aperfeiçoamento da cerveja. Os mais antigos vestígios da cerveja em terra alemã foram encontrados em um acampamento romano de Alzey, assaltado e incendiado em 352 d.c. pelos germânicos.
Os condimentos também têm sua significação na história da alimentação humana. O homem primitivo , como o atual, desejava alguma coisa a mais do que o alimento em si; foi o sabor que desenvolveu a arte de comer e a beber. A maioria dos condimentos veio do Oceano Índico, tendo sido a Índia, a Indonésia e o Ceilão os que mais contribuíram na sua disseminação. Os principais condimentos eram a canela, a noz moscada, o cravo,a pimenta e o gengibre. A noz moscada e o cravo valiam seu peso em ouro, sendo seu cultivo feito pelos chineses, séculos antes de cristo. A pimenta foi um dos primeiros condimentos utilizados pelos europeus. Nos tempos medievais, o mercador de condimentos era o homem mais rico. Uma libra de gengibre equivalia ao preço de um carneiro, um saco de pimenta valia a vida de um homem. Alarico pediu três libras de pimenta para suspender o cerco de Roma porque seus guerreiros adoravam pimenta. Em 1497, Vasco da Gama saiu de Lisboa para a Índia; parou em Moçambique, onde encontrou um árabe que io levou para Malabar. Lá recebeu condimentos; levou 1 ano para voltar a Portugal com uma carga de pimenta e canela, tornando-se famoso e rico.O uso do sal na alimentação humana constituiu um marco da civilização. Esse condimento deu origem a uma das mais antigas relações comerciais. Desde o fim do período neolítico, as grandes jazidas saliníferas da Europa constituíram pontos de tráfego no golfo de Gasconha, que se desenvolveu brilhantemente na Idade do Bronze. Na Itália, a rota que ligava Óstia a Sabina se chamava Via Salaria.
O sal foi objeto de um dos principais tráficos ao longo das estradas que ligavam Palmira ao golfo da Síria. Na África, barras de sal tinham valor de moedas. Fato interessante diz respeito à preservação de alimentos, que tem sido objeto de preocupação do homem desde os primórdios da historia . O homem primitivo verificou que cachos de uva deixados nas videiras desenvolviam um aroma e sabor muito agradável. Séculos antes da era cristã apreciava-se tanto esses frutos secos ao sol e guardados para serem consumidos durante o inverno.

Fonte: Livro História Da Nutrição E Da Alimentação