sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Malnutrição




A malnutrição pode ser o resultado de uma diminuição da ingestão (desnutrição) ou de um consumo excessivo (hipernutrição). Ambas as condições são o resultado de um desequilíbrio entre as necessidades corporais e o consumo de nutrientes essenciais.A desnutrição, uma deficiência de nutrientes essenciais, é o resultado de uma ingestão inadequada devido a uma dieta pobre ou a um defeito de absorção no intestino (má absorção); de um gasto anormalmente alto de nutrientes por parte do corpo; ou de uma perda anormal de nutrientes por diarreia, perda de sangue (hemorragia), insuficiência renal ou então suor excessivo. A hipernutrição, um excesso de nutrientes essenciais, pode ser o resultado de uma ingestão excessiva, do abuso de vitaminas ou outros suplementos ou de sedentarismo em excesso.
A desnutrição desenvolve-se por etapas. No princípio, as mudanças registam-se nos valores de nutrientes no sangue e nos tecidos, depois sucedem-se mudanças nos valores enzimáticos, seguidamente aparece uma disfunção de órgãos e tecidos e, finalmente, manifestam-se os sintomas de doença e produz-se a morte.
O organismo necessita de mais nutrientes durante certas etapas da vida, particularmente na infância, na meninice precoce e na adolescência, durante a gravidez e durante a lactação. Na velhice, as necessidades nutricionais são menores, mas a capacidade para absorver os nutrientes também está reduzida. Portanto, o risco de desnutrição é maior nestas etapas da vida, e ainda mais entre os indigentes.

Quem corre risco de desnutrição?
Bebês e crianças pequenas com pouco apetite.
Adolescetentes em fases de crescimento rápido.
Mulheres grávidas ou em período de lactação.
Idosos.
Pessoas qe têm uma doença crónica do tracto gastrointestinal, do fígado ou dos rins, particularmente se perderam recentemente 10% a 15% do seu peso.
Pessoas que se submetem a dietas agressivas durante longo tempo.
Os vegetarianos.
Alcoólicos ou toxicodependentes que não se alimentam adequadamente.
Doentes de SIDA.
Pessoas que tomam medicamentos que interferem com o apetite ou com a absorção ou excreção dos nutrientes.
Doentes de anorexia nervosa.
Pessoas que sofreram de febre prolongada, hipertiroidismo, queimaduras ou cancro.

Fatores de risco
Os lactentes e as crianças têm um risco superior de desnutrição porque precisam de maior quantidade de calorias e nutrientes para o seu crescimento e desenvolvimento. Podem sofrer deficiências de ferro, ácido fólico, vitamina C e cobre em resultado de dietas inadequadas. Uma ingestão insuficiente de proteínas, calorias e outros nutrientes conduz a uma desnutrição calórico-proteica, uma forma particularmente grave de desnutrição que atrasa o crescimento e o desenvolvimento. A doença hemorrágica do recém-nascido é uma predisposição dos recém-nascidos para sofrer hemorragias provocadas por uma deficiência de vitamina K. Esta doença pode ser mortal. Quando as crianças se aproximam da adolescência, aumentam as suas exigências nutricionais porque também aumenta o seu ritmo de crescimento.
Uma mulher grávida ou em período de aleitamento tem maiores necessidades nutricionais, para evitar a sua desnutrição e a do seu bebê. Durante a gravidez recomenda-se a ingestão de suplementos de ácido fólico, para reduzir o risco de malformações no cérebro ou na coluna (espinha bífida). Embora as mulheres que tenham tomado anticoncepcionais orais sejam mais propensas a desenvolver uma deficiência de ácido fólico, não existem provas de que o feto a apresentará. O bebê de uma mulher alcoólica pode sofrer lesões físicas e mentais provocadas pela síndroma de alcoolismo fetal, já que o abuso do álcool e a desnutrição que dele resulta afetam o seu desenvolvimento. Um lactente alimentado exclusivamente com leite materno pode desenvolver deficiência de vitamina B12 se a mãe for vegetariana e não ingerir produtos de origem animal (vegetariana rigorosa).
Os idosos podem sofrer de desnutrição devido à solidão, a deficiências físicas e mentais, imobilidade ou doença crônica. Além disso, a sua capacidade de absorver nutrientes está reduzida, o que contribui para o aparecimento de problemas como deficiência de ferro, anemia, osteoporose e osteomalácia.
O envelhecimento é acompanhado de uma perda progressiva de músculo que não está relacionada com nenhuma doença ou deficiência dietética. Esta perda anda à volta dos 10 kg para os homens e 5 kg para as mulheres. Isto acontece devido ao abrandamento do metabolismo, à diminuição do peso total e ao aumento da gordura corporal à volta de 20 % a 30 % nos homens e de 27 % a 40 % nas mulheres. Devido a estas mudanças e à redução da atividade física, as pessoas mais velhas precisam de menos calorias e menos proteínas do que os jovens.
As pessoas com uma doença crônica que leva a má absorção têm dificuldade em absorver as vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K), vitamina B12, cálcio e ferro. Uma doença do fígado impede o armazenamento das vitaminas A e B12 e interfere com o metabolismo das proteínas e da glicose (um tipo de açúcar). As pessoas que têm uma doença renal, incluindo as tratadas com diálise, são propensas a ter deficiências de proteínas, ferro e vitamina D.
A maioria dos vegetarianos são ovolactovegetarianismo, quer dizer, não comem carne nem peixe, mas sim ovos e produtos lácteos. O risco deste tipo de dieta é apenas a deficiência de ferro. Os vegetarianos ovolactovegetarianismo tendem a viver mais e a desenvolver menos deficiências crônicas do que os que comem carne. Contudo, a sua melhor saúde pode também ser o resultado da sua abstenção de álcool e tabaco e a sua tendência para fazer exercício regularmente. Os vegetarianos que não consomem produtos animais (vegetarianos rigorosos) correm o risco de desenvolver deficiência de vitamina B12. Os alimentos de estilo oriental e os fermentados, como o molho de peixe, podem fornecer vitamina B12.
Muitas dietas da moda proclamam a sua capacidade de intensificar o bem estar ou reduzir o peso. Contudo, as dietas altamente restritivas são, do ponto de vista da nutrição, nocivas: provocam deficiências de vitaminas, minerais e proteínas, assim como perturbações cardíacas, renais e metabólicas, e até algumas mortes. As dietas excessivamente hipocalóricas (menos de 400 calorias por dia) não asseguram a saúde por muito tempo.
A adição ao álcool ou às drogas pode perturbar o estilo de vida de uma pessoa ao ponto de esta descuidar a nutrição e com isso deteriorarem-se a absorção e o metabolismo dos nutrientes. O alcoolismo é a forma mais frequente de adição a drogas, com efeitos graves sobre o estado nutricional. Consumido em grandes quantidades, o álcool é um veneno que lesa os tecidos, particularmente os do aparelho digestivo, fígado, pâncreas e sistema nervoso (incluindo o cérebro). As pessoas que bebem cerveja e continuam a comer podem ganhar peso, mas as que consomem por dia uma garrafa de licor fortemente alcoolizado tendem a perder peso e a desnutrir-se. Nos países desenvolvidos, o alcoolismo é a causa mais frequente de deficiência de vitamina B1 (tiamina) e pode também provocar deficiências de magnésio, zinco e outras vitaminas.
Fonte:Saúde em Primeiro Lugar