quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Obesidade (criança, adolescente e adulto), vínculo mãe/filho e dinâmica familiar


Quando uma criança está obesa e quando ela está apenas "gordinha"? É possível realizar este diagnóstico por meio da fórmula do IMC?
Para saber se uma criança está apenas com excesso de peso ou se já apresenta obesidade, é preciso que seja feita a classificação nutricional, que pode ser realizada, entre outros métodos, pelo cálculo do IMC (peso[kg]/altura[m2]), tendo como pontos de corte os valores propostos pela Organização Mundial da Saúde – OMS:
Baixo peso - IMC <> 18,50 – 24,99
Sobrepeso - IMC > 25,00
Obesidade - IMC > 30,00
Pela medida do IMC, o estado nutricional de crianças com idade acima de dois anos, adolescentes e adultos pode ser diagnosticado. Entretanto, há controvérsias quanto ao uso desse método, pois um atleta que possui alto índice de massa magra (musculatura) pode apresentar IMC alto em função disso, e não em função de sobrepeso e/ou obesidade. Logo, é sempre importante consultar o pediatra e/ou nutricionista.

Um bebê gordinho será uma criança obesa? Quais são as causas da obesidade infantil?
Não necessariamente um bebê gordinho será uma criança obesa. Para que o bebê se torne uma criança obesa, vamos conhecer mais sobre esta doença – obesidade – e algumas de suas causas mais prováveis, pois, apesar de algumas delas já estarem bem estabelecidas, temos muito a conhecer ainda sobre esse tema.
A obesidade é definida como uma doença crônica, com etiologia multifatorial, isto é, tem origem em diversas causas, e apresenta altos índices de insucessos e recidivas.
A associação de diversos fatores, tais como genéticos, ambientais, comportamentais e psicológicos, mostra a complexidade desta condição. Podemos caracterizar a obesidade pelo acúmulo generalizado de gordura em regiões específicas do corpo. Pode ser causada também por doenças endócrino-metabólicas (obesidade endógena) ou por alterações nutricionais, psicológicas, conhecidas como obesidade exógena, sendo esta última responsável por 95 a 98% dos casos.
Entretanto, a chance de uma criança apresentar obesidade quando se tornar adulta aumenta em função do peso dos pais. Se um dos pais for obeso, ela tem, aproximadamente, 70% de chance de se tornar um adulto obeso e se o pai e a mãe forem obesos, sua chance é de, praticamente, 100%. Também quanto mais tempo uma criança “ficar obesa”, ou seja, quanto antes a obesidade se instalar, mais difícil será a reversão desse quadro.
As pessoas que sofrem com a obesidade e/ou excesso de peso sabem o quanto é difícil emagrecer e, mais ainda, permanecer magras, porque, uma vez que o indivíduo se torna obeso, “seu corpo pede” para que retorne logo ao maior peso já adquirido, interpretando o ato de emagrecer como “regime de guerra” e resiste fortemente a isso. Daí a importância do autoconhecimento, a fim de distinguir os motivos pelos quais se come em demasia. Conhecer-se bem é fundamental para mudar os hábitos antigos e prejudiciais (tanto ao corpo quanto à mente) e reaprender – de uma vez por todas – a se alimentar do que traz saúde e não somente prazer, ou seja, uma vez compreendido claramente o que impede a pessoa de se manter no “melhor peso” para ela, o antigo “prazer” (se é que ele existia) poderá ser transformado e, assim, será menos difícil permanecer em estado saudável.
Caso o indivíduo se sinta impotente para enfrentar tais mudanças, é hora de pedir ajuda a um profissional da área de Psicologia

Se a mãe engordou muito na gravidez, seu peso pode influenciar no peso de seu filho e levá-lo à obesidade?
Sim, pois a obesidade depende também dos hábitos alimentares paternos e é interessante lembrar que tudo que a mãe ingere durante a gravidez é ingerido pelo feto também. Além disso, estamos falando sobre hábitos alimentares, o que está diretamente ligado a aspectos emocionais.
Durante a gestação, as mudanças pelas quais a mulher passa são intensas e diversas. Seu corpo não é mais o mesmo e a futura mamãe pode se ver em dificuldade para se adaptar às alterações fisiológicas e psíquicas. Pode se sentir mais sensível, chorosa, triste, carente, ou pode "ensimesmar-se”, fechando-se como numa concha. Mas é de extrema importância saber que quanto melhor psicologicamente ela estiver, mais fácil e prazerosa será a gravidez e, com isso, a cada dia o vínculo entre ela e seu futuro bebê será fortalecido. É muito importante destacar a importância do companheiro no processo de vinculação entre mãe e bebê, pois o apoio, amor, compreensão e companheirismo dele valorizam a mulher e seu papel de mãe e a ajudam a exercer melhor sua função.
Voltando à questão do peso, é possível que a mãe que tenha engordado muito na gestação perca os quilos extras após o nascimento do bebê. Não é, porém, o mais comum. Não raramente a mulher que tem mais que um filho acumula o excesso de peso da gestação anterior, o que torna ainda mais difícil alcançar a perda de peso e manter essa condição.
Enfim, podemos observar que famílias que comem bastante, não só durante a espera do filho que vai nascer, mas antes desse evento, em geral continuam com os mesmos hábitos. Logicamente, a criança – fruto também do ambiente familiar – vai ser submetida a esses costumes alimentares, aderindo por si só futuramente a eles, e poderá, sim, tornar-se obesa

Filhos de mães diabéticas nascem com um peso além do normal?
Não necessariamente. Nem todo diabético é obeso e nem todo obeso é diabético. Entretanto, sabe-se que diabetes é uma das consequências da obesidade. O fator genético também é determinante nesse caso, por isso é tão importante a prevenção da obesidade.
A criança sedentária, que só se interessa por videogame e computador, pode ficar obesa?
Sim. O sedentarismo é um dos fatores principais para o ganho de peso. É necessário que os adultos que cuidam dessa criança possam acompanhá-la mais proximamente, dando-lhe mais atenção e proporcionando a ela condições de exercer atividades ao ar livre ou atividades aeróbicas, que favorecem a perda de peso, bem como auxiliá-la a ter interesse por outros tipos de atividades, além do videogame e do computador. É importante lembrar que fatores emocionais interferem diretamente no ganho de peso. Crianças que – eventualmente – possam se sentir muito sozinhas tendem a usar da alimentação para suprir essa carência. Vale ressaltar que não é só a “presença física” de alguém na casa que pode fazer a diferença, mas sim o amor, a atenção e o cuidado verdadeiro que é transmitido e exercido, de fato, com elas.

É correto forçar a criança "a comer tudo" ou o correto é deixá-la comer o quanto quiser e a hora que desejar?
Antes de tudo é necessário lembrar que ter disciplina é indispensável em todos os aspectos da vida. A alimentação é mais um desses aspectos que necessita de cuidados. É muito importante que o responsável pela criança possa organizar sua rotina, pois não é possível que ela faça isso sozinha ainda. Não estamos falando de inflexibilidade e rigidez, mas sim de que a criança possa crescer em um ambiente onde se sinta amada, respeitada e valorizada em seus direitos e deveres.
Com o propósito de orientação, alguns pontos serão levantados a seguir:
• Ter horário e local fixos para realizar as refeições é fundamental.
• Para que a criança adquira, gradativamente, consciência sobre o que e quanto está comendo, sobre o seu paladar, ou seja, do que gosta e do que não gosta de ingerir (fato importantíssimo para a construção de sua identidade), é necessário que ela mesma possa escolher o que vai comer. Sendo assim, na medida do possível, é interessante oferecer a ela algumas opções de cardápios.
• Quando estamos acostumados a comer muito mais do que o corpo precisaria para viver bem, o estômago fica distendido. O que acontece nesse processo é que as células adiposas (células de gordura) incham como se fossem “bexigas”, até chegar ao ponto de se dividirem e, gradativamente, aumentar de tamanho. A partir daí, tais células nunca mais desaparecerão, somente vão “murchar” quando emagrecemos e, assim que comermos seguidamente enormes quantidades, elas aumentam novamente, o que leva à obesidade e/ou ao conhecido “efeito sanfona”. Se a criança sempre for forçada a comer tudo – além de perder a chance de ela mesma decidir o que e quanto colocar em seu prato, desenvolvendo o conhecimento ou reconhecimento de seu ponto de saciedade –, não aprenderá a “sentir” o que é limite interno, outro fator fundamental para que ela possa conhecer a si mesma e utilizar soluções saudáveis e criativas para os problemas que certamente aparecerão em sua vida. Portanto, saliento a importância de que, desde pequena, a criança possa – ela mesma – fazer seu prato e ser orientada a colocar apenas o que ela acha que vai comer. Os pais devem sempre acompanhar esse desenvolvimento e “graduar” de forma equilibrada a diversidade dos alimentos que lhe é oferecida.

O que fazer para evitar a obesidade?
“Tudo começa no início.” Atualmente, devido à grande dificuldade de se reverter os quadros de obesidade, têm-se chegado à conclusão de que a prevenção – mais uma vez – é o melhor remédio. Portanto, se o casal sente que é hora de ter filhos, precisa se preparar de todas as formas para isso, o que inclui também o preparo físico de ambos, mas, principalmente, da mulher. Ou seja, o ideal é que a futura mãe esteja com o peso o mais possível dentro do esperado, pois é natural que ela engorde durante a gravidez. Exercícios físicos são da maior importância, antes, durante e depois da gestação, mas sempre com orientação e, se for o caso, com acompanhamento médico, nutricional e/ou de um preparador físico. Treinos regulares adequados para cada mulher, levando-se em conta diversos fatores, tais como idade, se já praticava exercícios e sua condição de saúde, entre outros, evitam que a gordura se acumule, além de diminuir o inchaço natural desta fase e auxiliar no fortalecimento da autoestima e da disposição mental e emocional.
É muito importante ressaltar que um dos pontos fundamentais, que fortalece ainda mais o vínculo da mãe com seu filho e ajuda em inúmeros aspectos da saúde tanto da mãe quanto do bebê, é a amamentação exclusiva até o sexto mês – preconizada pela Sociedade Brasileira de Pediatria.
Cuidar dos hábitos alimentares, ingerindo com consciência e não com compulsão, conhecer-se emocionalmente para não descontar a ansiedade ou outras emoções na comida, suportar perceber se está triste ou deprimida e conhecer os reais motivos sem, novamente, colocar nos doces (que dão aquela “traiçoeira” sensação de prazer – “traiçoeira”, pois o efeito rebote é ainda pior e mais sofrido), poder conversar com o companheiro sobre suas angústias, dúvidas e conflitos pessoais ou referentes à educação do filho, são todos fatores de suma importância para evitar o ganho de peso, que vem se tornando cada dia mais frequente.

O que os pais não devem fazer na hora de controlar o peso da criança?
Certamente, a presença carinhosa e ao mesmo tempo firme dos pais referente à colocação de limites é fundamental para ajudar a criança a manter o melhor peso para sua saúde física, emocional e social. Sem nenhuma dúvida os pais têm que estar envolvidos de corpo e alma na reeducação alimentar, assim como a família toda, principalmente se os avós morarem junto ou se tomarem conta da criança, pois se sentem, em geral, “no direito” de dar aos netos tudo que eles querem, desejam e gostam, acima de tudo aquelas “deliciosas comidas proibidas”. Entretanto, se a própria criança não se sentir responsável por seu corpo, por sua saúde e pelo que ela come, dificilmente haverá algum resultado positivo na luta contra o excesso de peso. Dessa forma, o mais indicado é poder ter contato com as próprias emoções – tanto os pais, cada um deles, quanto o próprio filho –, pois tendo discernimento sobre os sentimentos é muito mais fácil manter-se em seu objetivo.

Dicas do que os pais ou responsáveis pela criança não devem fazer:

• Não chamá-la “carinhosamente” por apelidos que, na verdade, são pejorativos, do tipo: gordinho, fofinho, entre outros.
• Não compará-la com os irmãos, se houver, pois é comum que a criança com obesidade seja desvalorizada pelos pais (mesmo que não seja essa a intenção).
• Não forçar a criança a comer tudo, e sim insistir, com afeto, para que ela experimente diferentes legumes, verduras e frutas, mas sempre respeitando o “tempo” dela. Às vezes, passada uma semana, a criança está mais disponível para isso, portanto, não adianta brigar

Nas famílias, quais são os erros alimentares que conduzem as crianças ao excesso de peso?
Os erros alimentares mais comuns são aqueles que os próprios pais e a própria criança já conhecem e sabem que não devem fazer e o motivo de não fazê-lo.

Vejamos alguns deles a seguir:

• Comer sobremesas doces no lugar de uma fruta.
• Comer muitos doces durante o dia ou – pior – à noite.
• Ingerir alimentos mais do que o necessário, ou seja, fazer um prato enorme de comida, sendo que com metade dele já se atingiria o ponto de saciedade.
• Não ensinar à criança a esperar até que ela atinja esse ponto de saciedade, permitindo que coma compulsivamente, sem prestar atenção no que está ingerindo, assistindo à TV ou realizando outra atividade ao mesmo tempo em que se alimenta e/ou fora do local de reunião da família para o almoço ou jantar (que deveria ser respeitado por todos).
• Ingerir refrigerantes com frequência.
• Tomar líquidos durante a refeição, pois dilata o estômago e não auxilia a digestão.
• Comer no lugar de ingerir água, fato bastante comum: o indivíduo está com sede e não percebe, e acaba comendo quando deveria saciar a sede.
• Ingerir frituras, fast-foods e snack-foods frequentemente também é um erro alimentar que pode levar ao excesso de peso e à obesidade, além de muitos outros problemas.
É importante ressaltar que o relacionamento familiar comprometido pode ter íntima ligação com o desencadeamento e/ou manutenção da obesidade. Vínculo forte entre pai/mãe e filhos é um fator de proteção, não só contra esse transtorno, mas contra tantos outros, e fortalece a identidade de todos os membros, contribuindo para o desenvolvimento saudável. Pessoas com bom vínculo são capazes de conviver com as diferenças entre os indivíduos, respeitá-los, valorizá-los e ajudar no crescimento físico, psicológico e no processo de independência de cada um.

Como deve ser a dieta e os exercícios de uma criança obesa?
Deve-se, impreterivelmente nesses casos, procurar um nutricionista, nutrólogo, pediatra ou endocrinologista, pois cada indivíduo é singular tanto em relação às suas necessidades fisiológicas quanto em seu modo de enfrentar dificuldades emocionais. Não há uma “fórmula mágica” que possa contemplar e saciar a todos os indivíduos da mesma forma, já que é necessário levar em conta esse aspecto individual para tentar se obter algum sucesso.
Se for o caso, esses profissionais geralmente estão capacitados para perceber e encaminhar o paciente e/ou a família para atendimento psicológico ou trabalhar em conjunto com um profissional da área de Psicologia.

Que doenças uma criança obesa pode ter?
É importante lembrar que a obesidade é considerada pela Organização Mundial da Saúde como uma doença e, como tal, possui outras doenças associadas a ela. Podem ser citadas as mais comuns: doenças cardiovasculares, de articulação, diabetes mellitus e hipertensão arterial

Fonte: IDMED

4 comentários:

Ana Martins disse...

Excelente post Marcela, de interesse publico!

Beijinhos,
Ana Martins

Anônimo disse...

Pelo menos metiam gráficos do estado nutricional das crianças e dos adultos a nível mundial e em portugal, por favor minha senhora!!!!!!

fury disse...

Vocês têm que mencionar o nome e titulação do (a) profissional que respondeu a todas as perguntas.
Achei interessantíssimo e útil.
Quero saber quem é, por favor, coloquem abaixo do texto.

Obrigada

Marcela Isabel Silveira CRN2: 6225P disse...

Fury como leu no post só aparece a fonte IDMED nada mais...Não posso responder a tua pergunta!E fico feliz por ter gostado do post volte sempre as portas do blog estão aberta para vc!
Abraço