sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Diabetes: aprendendo com os índios


A CENA MÉDICA MOACYR SCLIAR

Na história do diabete através dos tempos um capítulo particularmente interessante e instrutivo diz respeito a um pequeno grupo étnico do sudoeste dos Estados Unidos, os índios Pima. Durante muito tempo esses índios mantiveram seu tradicional estilo de vida, baseado sobretudo na agricultura. Mas, no final do século 19, a água que usavam para irrigação foi desviada por fazendeiros, resultando daí carência de alimento e desnutrição. Para ampará-los o governo americano começou a fornecer-lhes comida: toucinho, farinha, açúcar, coisas a que eles acabaram se acostumando, assim como se tornaram também sedentários. Mais adiante, os Pima entraram no exército e, de novo, adotaram os hábitos alimentares dos americanos - como todo os recém-convertidos, exagerando na dose. A porcentagem de gordura na dieta, que originalmente era de 15%, passou a 40%. Resultado: os Pima tornaram-se o grupo mais obeso dos Estados Unidos, e o grupo que mais tem diabetes. Metade dos Pima são diabéticos, e destes 95% têm excesso de peso. Em contraste, entre os Pima que vivem no México quase não existe obesidade e a taxa de diabete é a mesma dos mexicanos em geral.

Estes fatos, e muitos outros, justificam o alerta lançado pela Organização Mundial de Saúde. Existem no mundo, diz a OMS, 1 bilhão de pessoas com peso acima do normal; a obesidade tornou-se epidemia. Isto, associado a um estilo de vida nocivo à saúde, explica a verdadeira explosão do diabete no planeta. Pesquisadores do Centro para o Controle e a Prevenção de Doenças dos Estados Unidos estudaram 25 mil adultos, mostrando que, aqueles que não fumavam, tinham peso dentro do normal, alimentavam-se de forma racional e exercitavam-se no mínimo três horas e meia por semana conseguiam reduzir o risco para o diabete tipo 2 (dos adultos) em 93%. Mais que isto, reduziam em 81% o risco de ataque cardíaco, em 50% o risco de derrame cerebral e em 36% o risco de câncer. Ou seja: o diabete faz parte de uma constelação de doenças associadas com um modo de viver que, decididamente, não faz bem à saúde. Os Pima que o digam. Para eles, a descoberta da América pelos europeus, foi, para dizer o mínimo, um anti-ovo de Colombo.

5 comentários:

Fred Benning disse...

Maravilha esse post Marcela!

Abraço

Marcela Isabel Silveira CRN2: 6225P disse...

QUE BOM QUE GOSTOU!
ABRAÇÃO!

O Profeta disse...

Troquei as voltas a um Golfinho feliz
Afagei a cria de uma Baleia azul
Confundi uma nuvem com ilha encantada
Perdi-me na rota entre o Norte e o Sul

Aprisionei o olhar de uma gaivota
Enchi a alma com penas de imensa leveza
Enchi o coração de doce maresia
Adormeci nos braços da incerteza

Vem viajar comigo no meu barco de papel


Bom domingo

Doce beijo

Ana Martins disse...

Sempre aprendendo algo consigo Marcela... Parabéns!

Beijinhos,
Ana Martins

Marcela Isabel Silveira CRN2: 6225P disse...

Obrigada Ana!
Volte sempre!
Bjs