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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Chocolate branco não é chocolate; saiba por quê



O chocolate branco é feito com manteiga de cacau, leite em pó, açúcar (59,4%) e essência de baunilha. Inventado na Suíça após a Primeira Guerra Mundial, foi divulgado nos anos 80 pela Nestlé.


Amantes de chocolate branco devem ficar atentos ao consumir o alimento em excesso durante a Páscoa. Ao contrário do preto, que possui sementes de cacau e substâncias oxidantes na sua formulação, a versão branca do chocolate é constituída, basicamente, por manteiga de cacau, leite e açúcar e é rica apenas em gordura saturada – aquela que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), está relacionada a problemas cardiovasculares. Segundo a nutricionista Daniela Serwy, essa composição faz com que muitos especialistas não considerem chocolate branco como chocolate e sim um grande aglomerado de gordura que pode trazer prejuízos à saúde. “O chocolate branco contém manteiga de cacau em vez de massa de cacau e tem menor teor de nutrientes benéficos”, disse.
De acordo com a nutricionista, é a quantidade de cacau presente no chocolate que vai definir os benefícios que ele proporciona. “O chocolate ao leite, por exemplo, possui em sua composição mais leite em pó e açúcar do que cacau, por isso, é mais doce e não tem praticamente nenhuma atividade cardioprotetora. O mesmo acontece com o chocolate branco, que não é feito com o próprio fruto. Já o chocolate amargo, que é produzido com os grãos de cacau torrados, sem adição de leite e com menos açúcar, é o tipo de chocolate mais indicado para o consumo no dia a dia. Garantindo benefícios à saúde por causa do alto teor de flavonoides e antioxidantes, que reduzem os riscos das doenças cardiovasculares”, afirmou.

Quantidade permitida

Para quem não consegue viver sem chocolate, seja ele branco ou preto, a nutricionista explica que há uma quantidade diária que pode ser consumida sem que a dieta seja prejudicada. “Para o chocolate preto, são permitidos de 30 a 40 gramas ou 4 quadradinhos do tablete grande, o que equivale a 150 calorias. Já o chocolate branco, 30 gramas equivalem a 164 calorias. Mas vale lembrar que, independentemente do tipo de chocolate, todos têm um alto valor energético e grande quantidade de gorduras, por isso, deve ser consumido com moderação”, disse.

Veja a composição de cada tipo de chocolate

Chocolate branco: obtido a partir da mistura de manteiga de cacau com outros ingredientes, como leite. Não contém massa de cacau. Contém no mínimo 20% de sólidos totais de manteiga de cacau
Chocolate amargo: feito com grãos de cacau torrados, pouco açúcar e quantidade mínima de manteiga de cacau, sem adição de leite. Segundo a legislação brasileira, deve conter 35% ou mais de sólidos de cacau
Chocolate ao leite: apresenta em sua composição licor e manteiga de cacau, leite, leite em pó ou leite condensado e açúcar. A legislação estabelece que contenha um mínimo de 25% de sólidos totais de cacau

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

CHOCOLATE FAZ BEM PARA A SAÚDE?


Sim, mas só o amargo e em pequenas doses.

O chocolate é um daqueles alimentos que tem alternado, através da história, sua posição em relação aos efeitos produzidos sobre a saúde. Em algumas épocas, tido como benéfico; em outras, como prejudicial à saúde.

Na sua origem, no golfo do México, o cacau, bebida de sabor amargo, era ingerido pelos astecas que o chamavam de bebida dos deuses. Quando foi levado à Espanha, no século XIV, passou a ser adoçado para reduzir seu amargor. A bebida se difundiu pela Europa e, no século XVII, na Holanda, ocorreu o processo de industrialização do cacau, com a possibilidade de separação da manteiga de cacau da massa de cacau. Nessa mesma época, um suíço, produtor de leite condensado, adicionou-o à massa de cacau, surgindo o chocolate ao leite. Poucos anos depois, a manteiga de cacau foi adicionada a esta mistura, o que deu ao chocolate as características que permanecem até hoje.

Modernamente, o alto teor de gordura e açúcar do chocolate comum o relegou à categoria de guloseima que aumenta colesterol e engorda.

A possibilidade de um efeito benéfico do cacau sobre a saúde foi levantada no ano de 2001, a partir de estudos epidemiológicos desenvolvidos em uma população de ameríndios Kuna, que vivem em um arquipélago na costa do Panamá. Esta população apresenta baixa mortalidade por doença cardiovascular com uma prevalência extremamente baixa de aterosclerose, hipertensão, diabete e dislipidemia (alteração dos lipídios no sangue). A hipótese foi de que estes efeitos eram conseqüência da alta ingestão de cacau pela população.

De lá para cá, dezenas de estudos científicos têm sido publicados testando os possíveis efeitos benéficos do chocolate, ou de seus componentes, sobre diversas variáveis do organismo. Alguns destes estudos são conclusivos, outros nem tanto.

Vamos entender por que o chocolate pode fazer bem à saúde.

O cacau é rico em fitoquímicos fenólicos (polifenóis), especialmente de substâncias conhecidas como flavonóides, que são potentes antioxidantes. Antioxidantes protegem o organismo contra os radicais livres (moléculas muito reativas que são produzidas pela oxidação biológica e danificam vários tecidos). Os compostos antioxidantes estão também presentes em uma série de alimentos que compõem a dieta do mediterrâneo, no vinho tinto e no chá verde. Todos estes alimentos são associados a um menor risco de várias doenças, incluindo diabetes e doença cardíaca.

Como vimos, nos últimos anos um “boom” de artigos científicos apresentando resultados do efeito do chocolate sobre diversas funções. A maior parte deles conclui que o chocolate produz efeitos benéficos sobre a saúde em geral.

Estas conclusões merecem, porém, uma análise mais cuidadosa, já que, a partir delas, tem sido popularizado que chocolate faz bem, o que pode levar à ingestão de forma indiscriminada.

O principal efeito registrado nos estudos é sobre o sistema cardiovascular. A ingestão de chocolate reduziu pressão arterial, melhorou função endotelial (conjunto de efeitos que melhoram o fluxo sangüíneo das artérias), reduziu colesterol total e o LDL (“colesterol ruim”) e reduziu aterosclerose. Todos estes desfechos contribuem para uma redução do risco de doença cardíaca e de acidente vascular cerebral (derrame, AVC). O principal mecanismo de ação envolvido na redução da pressão arterial é o aumento, produzido pelos flavonóides contidos no cacau do chocolate, de um composto chamado óxido nítrico, que atua promovendo o relaxamento dos vasos sangüíneos, o que contribui para a redução da pressão.

Além do efeito sobre a pressão arterial, o chocolate aumentou, significativamente, a sensibilidade à insulina, o que reduz o risco de diabete tipo II. A sensibilidade à insulina também é mediada pelo óxido nítrico.

Resultados sugerem, também, que o chocolate reduz a inflamação, e tem efeito anti-troboembólico similar ao efeito da aspirina (reduz a agregação de plaquetas, impedindo a obstrução dos vasos).

Temos, então, um conjunto de evidências bastante consistentes de que componentes contidos no chocolate fazem bem à saúde.

E agora, podemos ou devemos ingerir chocolate para prevenir o aparecimento de doenças?

Esta é uma outra questão. Os efeitos benéficos do chocolate provêm do cacau em sua mistura. O chocolate mais popular que temos no mundo todo é o chocolate ao leite, uma mistura que tem em média somente 11% de derivados do cacau na sua composição. O restante é leite integral, açúcar e diferentes tipos de gordura. Esta baixa proporção faz com que este tipo de chocolate apresente baixo teor de flavonóides. Além disso, o potencial efeito benéfico desses antioxidantes é grandemente reduzido pela adição de leite, que inibe tanto a absorção como o efeito antioxidante do principal grupo flavonóide contido no cacau (epicatequinas). Somado a isso, o leite contém gorduras saturadas que aumentam colesterol.

Outro fator negativo: chocolate ao leite é um alimento altamente calórico, pois sua mistura é composta de grande proporção de carboidratos e gorduras. Os efeitos benéficos dos antioxidantes são anulados pelos efeitos do excesso de açúcar e do aumento de peso. Considerando que 66% do consumo de chocolate se dá no intervalo entre as refeições, o aumento de peso passa a ser um fator que, por si só, contra-indica sua ingestão regular.

Por sua vez, o chocolate amargo possui na sua mistura até 70% dos derivados do cacau (altas concentrações de flavonóides, apresentando o dobro da capacidade antioxidante do chocolate ao leite ), não contém leite e possui uma menor quantidade de açúcar. As principais gorduras presentes no chocolate amargo são, na mesma proporção:a) o ácido oléico, que é uma gordura monoinsaturada e, também, encontrada no óleo de oliva, é saudável pois aumenta o HDL (colesterol bom); b) o ácido esteárico que é uma gordura saturada que não afeta o colesterol total; c) o ácido palmítico, gordura saturada que aumenta o colesterol sendo portanto prejudicial à saúde, porém totalmente compensado pelos efeitos positivos do ácido oléico.

A ingestão de chocolate pode trazer benefícios à saúde nas seguintes condições:

desde que seja do tipo amargo (60% -70% de cacau);
não contenha leite na sua formulação (também não deve ser ingerido com leite ou derivados);
consumido em pequena quantidade (alguns estudos sugerem não mais que 25 g por dia);
as calorias ingeridas com o chocolate devem ser suprimidas de outras refeições

Portanto, preste atenção na etiqueta do seu chocolate amargo predileto, ingira com moderação (de preferência algum tempo após um saudável jantar mediterrâneo, regado a vinho tinto e concluído com uma xícara de chá verde).

Dessa maneira, além do prazer e da nutrição você estará prevenindo doenças e aumentando sua qualidade de vida.

Fonte: ACB da saúde